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E os cães se calaram por Aimé Césaire
E os cães se calaram é o primeiro texto dramatúrgico de Aimé Césaire, e passou por quatro tempos de escrita, como nos explicita Fernanda Murad Machado no prefácio: primeiro como drama histórico, depois publicada como oratório lírico, declamado como drama radiofônico, para então ser publicada como tragédia; esta última que serve de base para esta tradução.
Tem como marco a história da Revolução do Haiti, porém desde a primeira censura assumiu um caráter mais universal, com os personagens enquanto figuras arquetípicas que representam forças sociais. O herói trágico da peça, Rebelde, é a voz de uma revolta sem concessões pela emancipação da população escravizada. Ele é um assassino que assume seu ato sem remorso e recusa o perdão. A peça se inicia com o anúncio de sua morte iminente. A Mãe e a Amante encarnam vozes que clamam pelo ressurgimento da vida e do amor, propondo a paz sob a condição de conciliação com o colonizador. Outras figuras alegóricas como os Bispos e o Administrador, além de vozes que narram ou comentam, como o Eco, o Coro, e o Meio-coro.
A tragédia se desenrola em uma paisagem indistinta e claustrofóbica, descrita como “No báratro dos terrores, vasta prisão coletiva, povoada por negros candidatos à loucura e à morte”. Nela, o Rebelde, um revolucionário anônimo , luta contra a fatalidade em um contexto que mistura mitologia, simbolismo, e reflexões profundas sobre poder, alienação e repressão social.
E os cães se calaram é o primeiro texto dramatúrgico de Aimé Césaire, e passou por quatro tempos de escrita, como nos explicita Fernanda Murad Machado no prefácio: primeiro como drama histórico, depois publicada como oratório lírico, declamado como drama radiofônico, para então ser publicada como tragédia; esta última que serve de base para esta tradução.
Tem como marco a história da Revolução do Haiti, porém desde a primeira censura assumiu um caráter mais universal, com os personagens enquanto figuras arquetípicas que representam forças sociais. O herói trágico da peça, Rebelde, é a voz de uma revolta sem concessões pela emancipação da população escravizada. Ele é um assassino que assume seu ato sem remorso e recusa o perdão. A peça se inicia com o anúncio de sua morte iminente. A Mãe e a Amante encarnam vozes que clamam pelo ressurgimento da vida e do amor, propondo a paz sob a condição de conciliação com o colonizador. Outras figuras alegóricas como os Bispos e o Administrador, além de vozes que narram ou comentam, como o Eco, o Coro, e o Meio-coro.
A tragédia se desenrola em uma paisagem indistinta e claustrofóbica, descrita como “No báratro dos terrores, vasta prisão coletiva, povoada por negros candidatos à loucura e à morte”. Nela, o Rebelde, um revolucionário anônimo , luta contra a fatalidade em um contexto que mistura mitologia, simbolismo, e reflexões profundas sobre poder, alienação e repressão social.
trecho da obra
O Rebelde
Um país de enseadas, de palmeiras, de pândanos… um país de mão aberta…
A Mãe
vejam, ele não obedece… não renuncia à sua vingança maligna… ele não se desarma.
O Rebelde
(Duramente) Meu sobrenome: ofendido; meu nome: humilhado; meu estado: revoltado; minha idade: a idade da pedra.
A Mãe
Minha raça: a raça humana. Minha religião: a fraternidade…
O Rebelde
Minha raça: a raça decaída. Minha religião… mas não são vocês que vão prepará-la com o seu desarmamento… sou eu com a minha revolta e meus pobres punhos cerrados e minha cara hirsuta