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Trilogia do reencontro por Botho Strauss
"No verão de 1975, integrantes de uma associação artística se reúnem para uma vernissage. Ao caminharem pelos corredores da exposição, amigos, casais e desafetos observam não apenas as obras, mas também a si mesmos. Moritz, o diretor do grupo e curador da mostra, tem como empecilho Kiepert, membro importante da associação que pretende impedir a abertura da mostra. Embora justificada pela crítica à curadoria, suas reservas na realidade mais parecem motivadas por razões pessoais.
Partindo dessa premissa dramática, bem como das relações dos personagens com as telas dispostas na mostra (sobretudo pinturas pertencentes ao chamado “realismo capitalista”), a peça tematiza as inter-relações (ou a ausência delas) de indivíduos mergulhados em suas próprias subjetividades, espelhando, assim, a fratura dos vínculos pessoais e afetivos de um setor intelectualizado da classe média. Inspirada em Os veranistas, de Maksim Górki, a peça coloca, ainda, a questão da representação – isto é, da relação que artes representativas como a pintura, o teatro, a fotografia e a literatura estabelecem com a realidade que elas representam – como seu mote central, construindo, a partir dos diálogos, uma reflexão filosófica sobre a arte e, em especial, sobre o realismo."
"No verão de 1975, integrantes de uma associação artística se reúnem para uma vernissage. Ao caminharem pelos corredores da exposição, amigos, casais e desafetos observam não apenas as obras, mas também a si mesmos. Moritz, o diretor do grupo e curador da mostra, tem como empecilho Kiepert, membro importante da associação que pretende impedir a abertura da mostra. Embora justificada pela crítica à curadoria, suas reservas na realidade mais parecem motivadas por razões pessoais.
Partindo dessa premissa dramática, bem como das relações dos personagens com as telas dispostas na mostra (sobretudo pinturas pertencentes ao chamado “realismo capitalista”), a peça tematiza as inter-relações (ou a ausência delas) de indivíduos mergulhados em suas próprias subjetividades, espelhando, assim, a fratura dos vínculos pessoais e afetivos de um setor intelectualizado da classe média. Inspirada em Os veranistas, de Maksim Górki, a peça coloca, ainda, a questão da representação – isto é, da relação que artes representativas como a pintura, o teatro, a fotografia e a literatura estabelecem com a realidade que elas representam – como seu mote central, construindo, a partir dos diálogos, uma reflexão filosófica sobre a arte e, em especial, sobre o realismo."
trecho da obra
Susanne, 42 anos
Não. Deixemos de lado essas pequenas observações afetadas. Não precisamos de fascinação. Evitemos, pelo amor de Deus, todo o afeto em que os grandes sentimentos encontram a dispersão fácil demais. Até extenuarem. Seguremos as lágrimas para que, mais tarde, quando nos alegrarmos, elas não escorram escassas. Veja, não somente tomo conta de tudo aquilo que eu quero dar ao senhor, quando chegar a hora, mas também me tornei um pouco curvada com esse duro adiamento. Andar ereta, na expectativa, me dói. Quero agachar, me deitar, rastejar, cair, até que o senhor venha e me levante. A coluna ereta é uma herança pesada da natureza, se a cabeça te puxa eternamente para baixo… Está me escutando? (Ela olha pela primeira vez ao redor e percebe que Moritz não está presente) Está me escutando? Então, quero lhe dizer também: você para mim não é só amor, você é também ódio no meu amor. Ao seu lado, não tenho nenhum sentimento por mim. Você me afastou muito de mim. Ficar de pé na sua frente significa dar com as costas numa parede bruta e vazia. Por trás, o próprio destino vai ruir como uma casa nunca habitada. [...]