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Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come por Oduvaldo Vianna Filho
"Terceiro espetáculo do grupo Opinião. Assim como os shows Opinião e Liberdade, liberdade, esta peça também foi concebida no contexto pós 1964, porém assumiu, mais do que os espetáculos anteriores, o grande desafio de encontrar uma linguagem teatral que permitisse analisar criticamente as circunstâncias do país sob a ditadura e, ao mesmo tempo, driblar a censura.
Comédia farsesca escrita em versos de cordel, cheia de humor e sarcasmo, a peça traz temas como os conflitos no campo entre trabalhadores, proprietários e políticos locais, que se intensificaram sob o novo regime.
O enredo apresenta os dilemas vivios pelo protagonista Roque, que, em sua luta diária pela subsistência, se vê obrigado a driblar pessoas da elite econômica e política — como o coronel que o explora e os políticos que pretendem usá-lo como plataforma — é pressionado a praticar atos que prejudicam seus semelhantes. Ao representar as tensões entre os tipos sociais brasileiros do campo, esta peça joga luz sobre questões nacionais candentes, como a necessidade da reforma agrária, planejada pelo governo João Goulart, mas abortada pelo golpe."
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho comeOduvaldo Vianna Filhocomprar
sinopse
"Terceiro espetáculo do grupo Opinião. Assim como os shows Opinião e Liberdade, liberdade, esta peça também foi concebida no contexto pós 1964, porém assumiu, mais do que os espetáculos anteriores, o grande desafio de encontrar uma linguagem teatral que permitisse analisar criticamente as circunstâncias do país sob a ditadura e, ao mesmo tempo, driblar a censura.
Comédia farsesca escrita em versos de cordel, cheia de humor e sarcasmo, a peça traz temas como os conflitos no campo entre trabalhadores, proprietários e políticos locais, que se intensificaram sob o novo regime.
O enredo apresenta os dilemas vivios pelo protagonista Roque, que, em sua luta diária pela subsistência, se vê obrigado a driblar pessoas da elite econômica e política — como o coronel que o explora e os políticos que pretendem usá-lo como plataforma — é pressionado a praticar atos que prejudicam seus semelhantes. Ao representar as tensões entre os tipos sociais brasileiros do campo, esta peça joga luz sobre questões nacionais candentes, como a necessidade da reforma agrária, planejada pelo governo João Goulart, mas abortada pelo golpe."
trecho da obra
Todos
(Cantam)
Se corres, bicho te pega, amô.
Se ficas, ele te come.
Ai, que bicho será esse, amô?
Que tem braço e pé de homem?
Com a mão direita ele rouba, amô,
e com a esquerda ele entrega;
janeiro te dá trabalho, amô,
dezembro te desemprega;
de dia ele grita “avante”, amô,
de noite ele diz: “Não vá!”
Será esse bicho um homem, amô,
ou muitos homens será?