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A encruzilhada por Kossi Efoui
Esta peça verte em poesia vidas ressecadas pelo autoritarismo, vidas daqueles que, nas palavras de um dos personagens, precisaram aprender a se confundir com o cenário para poderem se manter vivos. Uma Mulher e um Poeta estão à procura de um caminho, de um futuro, onde seja possível ser alguém, não apenas sobreviver. Acontece que, na encruzilhada em que eles se encontram, nenhuma saída é visível. As personagens – por vezes semelhantes a bonecos inanimados – ganham vida pelo sopro de um Ponto, que lhes traz a fala como quem carrega e transmite uma memória há muito silenciada. Nesse microcosmo, une-se a eles um Cana, personagem vazio de memória, que não procura caminhos pois tem “o medo no lugar da alma”.
A encruzilhada que pesa sobre essas personagens é também aquela à qual o autor esteve condenado enquanto vivia sob o regime ditatorial togolês. Porém, ao ser ambientada em um espaço onírico, habitado por personagens arquetípicos, a peça transcende em muito seu contexto de origem, e seu sentido se universaliza.
Esta peça verte em poesia vidas ressecadas pelo autoritarismo, vidas daqueles que, nas palavras de um dos personagens, precisaram aprender a se confundir com o cenário para poderem se manter vivos. Uma Mulher e um Poeta estão à procura de um caminho, de um futuro, onde seja possível ser alguém, não apenas sobreviver. Acontece que, na encruzilhada em que eles se encontram, nenhuma saída é visível. As personagens – por vezes semelhantes a bonecos inanimados – ganham vida pelo sopro de um Ponto, que lhes traz a fala como quem carrega e transmite uma memória há muito silenciada. Nesse microcosmo, une-se a eles um Cana, personagem vazio de memória, que não procura caminhos pois tem “o medo no lugar da alma”.
A encruzilhada que pesa sobre essas personagens é também aquela à qual o autor esteve condenado enquanto vivia sob o regime ditatorial togolês. Porém, ao ser ambientada em um espaço onírico, habitado por personagens arquetípicos, a peça transcende em muito seu contexto de origem, e seu sentido se universaliza.
trecho da obra
Mulher
Eu quero ver além do futuro, esse futuro tão próximo que salta aos olhos. Quero ver além desse futuro. O único que me é imposto... a mim e aos filhos que carrego. Um futuro que escorre de um passado de perdas, de esquecimentos, de ausências, de caídas, de recaídas, de declínios, de eclipses. Um futuro é um vazio de tempo que a gente preenche de si mesmo. Eu quero preencher esse futuro de mim mesma. Quero deixar minhas pegadas no tempo. De novo. De novo. Até que o tempo tome uma forma de mim. É esse o futuro na minha dimensão de mulher-presente. Presença. O futuro é Presença.