Dirce Waltrick do Amarante Tradutor, Prefaciador - 1969, Brasil
Dirce Waltrick do Amarante é professora do curso de Artes Cênicas e do programa de pós-graduação em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e também do programa de pós-graduação em Estudos da Tradução da Universidade de Brasília (UnB). Traduziu obras de Edward Lear, Eugène Ionesco, Gertrude Stein, Edgar Allan Poe, Leonora Carrington e Cecilia Vicuña. Autora de "Cenas do teatro moderno e contemporâneo" (Iluminuras, 2021) e das peças "Minha pequena Irlanda" e "Quando elas esperam" (ambas pela Cultura e Barbárie, 2021). É ensaísta e colabora em jornais e revistas de circulação nacional.
- nascimento — morte 1969
- país Brasil
- projetos 1 obra publicada

A cantora careca
Teatro em língua francesa
trecho da obra
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Sr. Smith
(Ainda com seu jornal) Olha só, está escrito que Bobby Watson morreu.
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Sra. Smith
Meu Deus, coitado, quando foi que morreu?
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Sr. Smith
Por que essa cara de espanto? Você já sabia disso. Ele morreu há dois anos. Você se lembra, a gente foi no enterro dele, há um ano e meio.
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Sra. Smith
Claro que me lembro. Me lembrei agora mesmo, mas não entendo por que você ficou tão surpreso de ver isso no jornal.
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Sr. Smith
Isso não estava no jornal. Já faz três anos que a gente falou do falecimento dele. Me lembrei disso por associação de ideias!
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Sra. Smith
Que pena! Estava tão conservado.
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Sr. Smith
Era o cadáver mais belo da Grã-Bretanha! Ele não aparentava a idade que tinha. Coitado do Bobby, fazia quatro anos que estava morto e ainda estava quente. Um verdadeiro cadáver vivo. E como estava jovial!
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Sra. Smith
Coitada da Bobby.
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Sr. Smith
Eu disse coitado “do” Bobby.
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Sra. Smith
Não, estou pensando na mulher dele. Ela e ele se chamavam Bobby, Bobby Watson. Como tinham o mesmo nome, a gente não conseguia distinguir um do outro quando estavam juntos. Foi só depois da morte dele que a gente conseguiu realmente saber quem era um e quem era o outro. Mas ainda hoje tem gente que a confunde com o morto e presta-lhe condolências. Você a conhece?
pag. 32
A cantora careca
Esta é a peça de estreia de Eugène Ionesco e é o principal exemplo do seu “teatro do absurdo”. Inspirada por um manual de ensino de língua inglesa, a obra transforma diálogos banais entre dois casais britânicos em um espetáculo de repetições, incoerências e automatismos. Ao desmontar o sentido da...
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- 1950
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