Marguerite Duras, trad. Angela Leite Lopes

Savannah Bay


A história de "Savannah Bay" é a da construção de uma história que nunca se completa, ou, quando muito, se completaria apenas por atividade do leitor ou espectador

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O livro

FICHA TÉCNICA

Gênero Teatro
Formato 14 x 19 cm
Páginas 176
Peso 150 g
ISBN 978-65-87243-29-0
Ano de lançamento 2023

A narrativa de Savannah Bay se tece na relação amorosa entre as duas únicas personagens que aparecem no palco – Madalena, uma mulher que já atingiu “o esplendor da idade”, e uma Jovem, não nomeada; talvez sua neta. Como através de um espelho, essa relação se desdobra em uma outra trama amorosa, constituída a partir da já esparsa memória de Madalena, que se confunde com a imaginação. O elo entre as duas, que constantemente se apresenta como um reflexo no espelho, desencadeia outra história de amor, formada a partir das memórias fragmentadas de Madalena. Nesse jogo de espelhos, no qual pouco ou nada se revela com nitidez, Madalena também evoca, ou talvez até imagine, um passado quando atuava como atriz de teatro, repetidamente interpretando essa mesma história que agora ela e a Jovem tentam recriar no presente. Tanto na relação entre essas duas mulheres quanto nas outras conexões que se desdobram a partir desse núcleo, o amor está sob os holofotes.

Savannah Bay foi inicialmente escrita em 1982 e reescrita no ano seguinte, durante o processo de ensaios para a montagem no Théâtre du Rond-Point. Sua estreia ocorreu em 27 de setembro de 1983, sob direção da própria autora, com Bulle Ogier e Madeleine Renaud no elenco – a peça é uma homenagem a esta última. A trajetória desse texto teatral assemelha-se, assim, à de La Musica, que também foi reescrita pela autora durante a montagem, no mesmo Rond-Point e igualmente sob sua direção, dando origem a La Musica segunda. Com desfecho diferente da primeira, a segunda versão de Savannah Bay é mais condensada e indica uma divisão em três cenas, elemento antes ausente. Além disso, as linhas narrativas do texto de 1983 apresentam menos lacunas, o que, contudo, apenas atenua ligeiramente a natureza incompleta e aberta do enredo.

Por que ler a peça?

Experiência dramática intrigante e envolvente que leva o leitor e o espectador a um mundo de reflexões sobre o amor, a memória e a fugacidade dos encontros humanos. Neste texto, Madalena, uma ex-atriz de teatro, e a Jovem exploram esses temas em uma história de amor impossível, que se desenrola como um quebra-cabeça emocional. Com o estilo único de Marguerite Duras como pano de fundo, a peça nos convida a refletir sobre a memória e o amor. Ainda, a trilha sonora de Édith Piaf, com Les Mots d’amour, adiciona uma dimensão musical e emocional à história.

Por dentro da edição da Temporal

  • Tradução e prefácio de Angela Leite Lopes
  • Savannah Bay – Versão de 1982
  • Savannah Bay – Versão de 1983
  • Posfácio de Dominique Touchon  Fingermann
  • Canção “Les Mots d’amour”, de Édith Piaf – Transcrição integral e tradução
  • Fichas técnicas das apresentações
  • Fotografias da montagem brasileira
  • Sugestões de leitura
  • Quarta capa de Helena Ignez
Helena Ignez e Djin Sganzerla em montagem brasileira de 1999. © Marcos Bonisson

"A narrativa no condicional, o relembrar que se dá como algo que poderia ter acontecido daquela maneira, cria um contraste interno entre o literário e o dramático: há um tom que se poderia chamar de formal nas falas, que no entanto também são íntimas, das duas mulheres, pois, como é aludido em determinados momentos, trata-se ali de um relato construído, de uma possível peça de teatro ou filme, que elas inventam e rememoram."

— a tradutora Angela Leite Lopes, em prefácio inédito para a edição, sobre a escrita de Marguerite Duras
Helena Ignez e Djin Sganzerla em montagem brasileira de 1999. © Marcos Bonisson

Sobre a autora

Nascida em 4 de abril de 1914 em Gia Dinh, perto de Saigon (Cochinchina), hoje Vietnã, Marguerite Duras radicou-se definitivamente em Paris aos 19 anos, e logo começou os estudos em Direito e Ciências Políticas. Atuou em diversas frentes ao longo de sua vida: foi romancista, novelista, poeta, roteirista, diretora de cinema e de teatro, além de dramaturga. Ao longo de sua trajetória, Duras construiu uma obra que refletiu sobre si mesma e sobre a existência humana, acompanhada de elementos como: memória, linguagem, passagem do tempo, encontros e interações entre os sujeitos.

Pertencendo ao mesmo caldo cultural de onde surgiram Edgar Morin, Jean-Luc Godard e Alain Resnais, com quem colaborou sendo a roteirista de Hiroshima mon amour, Duras foi importante figura para o cenário cultural e político de seu tempo. Após ter trabalhado para o Serviço de Informação do Ministério das Colônias, em 1938, e de ter escrito um livro que louvou a colonização francesa, em 1939-40, Duras aderiu a outra plataforma política. Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista, após ter participado da resistência francesa, que se opunha à ocupação nazista na França. Mais tarde, seria expulsa do partido por “má conduta”, comentário de cunho moral que julgava a vida íntima da autora.

Numa crítica à moralidade e ao projeto cultural europeu, fazendo da loucura, do vazio e do amor plataforma para explorar o humano, Duras deu forma a um universo singular. Por meio dele, navegava pelo tema da liberdade, pensava sobre modelos de linguagem e refletia sobre a vivência das mulheres, sendo múltipla, polifônica e avant-garde. Marguerite Duras faleceu aos 81 anos de idade, em 3 de março de 1996. A escritora está sepultada no cemitério de Montparnasse, em Paris.