Thomas Bernhard

Praça dos Heróis


Escrita em 1988, esta polêmica peça de Thomas Bernhard traz uma reflexão crítica sobre o nacionalismo e o antissemitismo na Áustria moderna

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O livro

FICHA TÉCNICA

Gênero Teatro
Formato 14 x 19 cm
Páginas 192 pp.
Peso 210 grs
ISBN 978-85-53092-09-3
Ano de lançamento 2020

No apartamento do falecido prof. Schuster, a governanta sra. Zittel e a empregada Herta preparam o jantar funerário para a família, rememorando a vida do patrão e lamentando a morte trágica que acabara de acontecer. Enquanto isso, as filhas de Schuster, Anna e Olga, tentam convencer seu tio a assinar uma petição em defesa de um território onde a família possui uma propriedade e a tratar de outros pormenores cotidianos. Entre lembranças e tentativas de compreensão das condições que levaram o professor a cometer suicídio, os personagens apresentam um panorama político da Áustria no fim da década de 1980, traçando um paralelo direto com o episódio de invasão de Hitler na Praça dos Heróis, que marcara não só o âmago da família protagonista, como toda a história ocidental.

Escrita em 1988 por encomenda de Claus Peymann, então diretor do Burgtheater de Viena, por ocasião do centenário de abertura do teatro e, coincidentemente, pelos cinquenta anos do Anchluss (anexação da Áustria pela Alemanha nazista), Praça dos Heróis é uma reflexão crítica sobre o nacionalismo e o antissemitismo da Áustria moderna, além de uma denúncia da negação de seu passado por parte do povo austríaco. Polêmica por sua assertividade, como diversas outras obras de Bernhard, esta peça de linguagem límpida sensibiliza os leitores não só pela delicadeza da situação que representa, como por sua atualidade.

Em Prefácio à edição brasileira, Alexandre Villibor Flory, doutor em literatura alemã pela USP e especialista na obra de Bernhard, aborda o contexto e a relevância da publicação de Praça dos Heróis, até então inédita no Brasil, bem como disserta sobre a estética da peça e os ganhos desta tradução para o português, de autoria de Christine Röhrig.  A edição da Temporal ainda conta com fotografias e ficha técnica da polêmica montagem de estreia de 1988 no Burgtheater e da montagem brasileira, dirigida por Luciano Alabarse em 2006. 

O autor

Thomas Bernhard nasceu em 9 de fevereiro de 1931, na cidade de Heerlen, Holanda, e faleceu em 12 de fevereiro de 1989, em Gmunden, Áustria. Filho “ilegítimo” da austríaca Herta Bernhard, mulher solteira que fugira à Holanda para dar à luz, o autor de poemas, novelas, romances e peças de teatro é considerado um dos escritores de língua alemã mais influentes da segunda metade do século XX, tendo sido traduzido em diversos idiomas. A estreia desta Praça dos Heróis, no Burgtheater de Viena em 1988, gerou grande polêmica em meio ao ambiente conservador austríaco. Outra polêmica criou também o próprio Bernhard que, ao receber o Prêmio Nacional Austríaco de Literatura, fez um discurso provocador, fora do tom protocolar esperado na ocasião. Essa irreverência frente à cultura oficial é um traço distintivo de sua obra, que intervinha criticamente num momento em que tanto a política como a literatura hegemônica eram orientadas para o esquecimento e o recalque do passado nazista do país. Além de Praça dos Heróis, Thomas Bernhard é autor de peças como A força do hábito e Simplesmente complicado (Cotovia, 1991), de romances como O náufrago, Extinção (Companhia das Letras, 1996; 2000), Árvores abatidas e Perturbação (Rocco, 1991; 1999) e de livros autobiográficos como O sobrinho de Wittgenstein (Rocco, 1992) e Origem (Companhia das Letras, 2006).

© Andrej Reiser