Marguerite Duras, trad. Angela Leite Lopes, quarta-capa de Silvia Gomez

La Musica e La Musica segunda


Um casal há muito tempo separado se encontra para formalizar o divórcio. No salão do hotel em que uma vez moraram juntos, se lançam para uma conversa derradeira. Assim começa "La Musica", de Marguerite Duras, escrita em 1965. Vinte anos depois, em 1985, a escritora concebe "La Musica segunda", adaptada a partir da primeira versão. As peças, inéditas em livro no Brasil, ganham agora edição crítica

por R$ 74,00

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O livro

FICHA TÉCNICA

Gênero Teatro
Formato 14 x 19 cm
Páginas 256
Peso 350 g
ISBN 978-65-87243-19-1
Ano de lançamento 2022

Um casal separado há não muito tempo se reencontra na pequena cidade francesa de Évreux por ocasião da formalização de seu divórcio. Reunidos no salão de um hotel que evoca a lembrança de sua vida de casados, eles sabem que se veem pela última vez. De início, Anne-Marie Roche e Michel Nollet se dirigem um ao outro com muitas formalidades e certo pragmatismo. Pouco a pouco, no entanto, abandonam a segurança protocolar e adentram o terreno obscuro, amedrontador e irrepresentável de um amor que se reaviva e, ao mesmo tempo, vai se revelando insustentável. A tensão entre os protagonistas cresce pouco a pouco, atingindo seu ápice em momentos explosivos, o que torna ainda mais palpável e densa a ligação entre o antigo casal.

Escrita inicialmente sob encomenda da televisão britânica para compor um dos episódios da série Love Story, a obra La Musica estreou como peça de teatro em 1965 e ganhou, ainda no mesmo ano, sua primeira versão em livro, num conjunto com outras duas peças de Marguerite Duras. Em 1967, o texto foi adaptado para o cinema, sob direção da própria autora. Vinte anos depois da publicação, em 1985, enquanto eram ensaiadas leituras de alguns textos de Duras – dentre os quais, La Musica –, Sami Frey, um dos atores presentes, propôs à autora a montagem da peça com algumas variações. Dessa proposta originou-se La Musica segunda, que poderia quase ser considerada uma nova peça – segundo a própria autora: “E mais ou menos durante esse tempo todo eu desejei esse segundo ato”. 

Mais do que uma repetição variada do original, La Musica segunda é formada por dois atos muito diferentes: o primeiro baseia-se em um diálogo mais tradicional, enquanto o segundo tende a ofuscar a individualidade dos dois personagens e a acentuar o lirismo do texto, intensificando tanto as faíscas de amor quanto as sutilezas entre os protagonistas. La Musica segunda estreou em 1985, após um mês e meio de ensaio, sendo pouco depois publicada. Pela primeira vez, as duas peças são lançadas em livro no Brasil, num esforço de apresentar ao público brasileiro a faceta de Marguerite Duras como dramaturga, destacando sua contundente relação com o teatro.

Sobre a concepção da edição brasileira

Esta edição de La Musica e La Musica segunda, concebida e adaptada a partir do volume crítico publicado pela Gallimard em 2018, com texto de apresentação da própria Duras, vem acompanhada de notas que trazem ao leitor informações sobre a gênese e a “vida” da peça, revelando os entremeios da escrita de sua autora. O prefácio é da tradutora Angela Leite Lopes, que ressalta o papel da questão colonial na constituição do estilo de Duras. Natural da Cochinchina, hoje Vietnã, Marguerite Duras radicou-se na França ainda jovem e chegou a trabalhar no Serviço de Informação do Ministério das Colônias, em 1938. Anos mais tarde, entretanto, ela faria severas críticas ao projeto cultural europeu.

A obra conta ainda com posfácio do autor e dramaturgo Arnaud Rykner – traduzido da edição da Gallimard. Além disso, o leitor encontrará no volume da Temporal detalhes sobre as principais montagens e sua recepção pela crítica, bem como fichas técnicas das montagens de 1965, 1985 e da estreia brasileira de La Musica, de 2009 – Xuxa Lopes e Hélio Cícero em direção de Marcos Loureiro. Ao final, uma cronologia não apenas sobre a autora como também sobre o seu circuito intelectual e político, que mostra a importância do legado de Duras, em seu tempo e além, também pode ser conferida.

 Por dentro da edição da Temporal

  • Nota à edição francesa (2018)
  • Prefácio de Angela Leite Lopes (tradutora)
  • Apresentação de Marguerite Duras (1985)

  • Notas
  • Posfácio do diretor e dramaturgo Arnaud Rykner (2018)
  • Fichas técnicas das apresentações

  • Principais montagens e fortuna crítica

  • Cronologia da autora

  • Sugestões de leitura

"Na sombra, em segredo, deixar o amor crescer."

— trecho de "La Musica", p. 98

"Um amor que se rompe, corrompido que estava pelo tormento, pela indiferença, pela angústia, pela violência da solidão."

— a tradutora Angela Leite Lopes em prefácio à edição, p. 32

até 05.08: pré-venda "La Musica e La Musica segunda", de Marguerite Duras

de R$ 74 por R$ 62,90 [15% de desconto] — entregas a partir de 08.08

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Sobre a autora

Nascida em 4 de abril de 1914 em Gia Dinh, perto de Saigon (Cochinchina), hoje Vietnã, Marguerite Duras radicou-se definitivamente em Paris aos 19 anos, e logo começou os estudos em Direito e Ciências Políticas. Atuou em diversas frentes ao longo de sua vida: foi romancista, novelista, poeta, roteirista, diretora de cinema e de teatro, além de dramaturga. Ao longo de sua trajetória, Duras construiu uma obra que refletiu sobre si mesma e sobre a existência humana, acompanhada de elementos como: memória, linguagem, passagem do tempo, encontros e interações entre os sujeitos.

Pertencendo ao mesmo caldo cultural de onde surgiram Edgar Morin, Jean-Luc Godard e Alain Resnais, com quem colaborou sendo a roteirista de Hiroshima mon amour, Duras foi importante figura para o cenário cultural e político de seu tempo. Após ter trabalhado para o Serviço de Informação do Ministério das Colônias, em 1938, e de ter escrito um livro que louvou a colonização francesa, em 1939-40, Duras aderiu a outra plataforma política. Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista, após ter participado da resistência francesa, que se opunha à ocupação nazista na França. Mais tarde, seria expulsa do partido por “má conduta”, comentário de cunho moral que julgava a vida íntima da autora.


Numa crítica à moralidade e ao projeto cultural europeu, fazendo da loucura, do vazio e do amor plataforma para explorar o humano, Duras deu forma a um universo singular. Por meio dele, navegava pelo tema da liberdade, pensava sobre modelos de linguagem e refletia sobre a vivência das mulheres, sendo múltipla, polifônica e avant-garde. Marguerite Duras faleceu aos 81 anos de idade, em 3 de março de 1996. A escritora está sepultada no cemitério de Montparnasse, em Paris.