Jean-Paul Alègre

Eu, Ota, rio de Hiroshima


Neste ano em que se completam 75 anos do lançamento da bomba atômica em Hiroshima, esta peça traz um ponto de vista ainda não observado do acontecimento: o da natureza. 

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O livro

FICHA TÉCNICA

Gênero Teatro
Formato 14 x 19 cm
Páginas 112 pp.
ISBN 978-85-53092-10-9
Ano de lançamento 2020

Em 1939, o presidente estadunidense Franklin D. Roosevelt e seu conselheiro para assuntos científicos, Vannevar Bush, debatem os desafios do país perante o andamento da Segunda Guerra Mundial. O dirigente da nação e seu assessor temem a recente expansão do adversário alemão Hitler no conflito, e as conquistas da então União Soviética na corrida nuclear. Enquanto isso, no Japão, a menina Akimitsu, que vive com seus tios na pacífica Hiroshima, troca cartas afetuosas com seu irmão Yoshi, jovem aprendiz de sapateiro que continua em Tóquio, apesar dos constantes bombardeios à região.

Narrada por Ota, personificação feminina do rio que corta a cidade de Hiroshima, esta história reconstitui os episódios que antecederam o fatídico 6 de agosto de 1945, quando, pela primeira vez na história, uma bomba atômica foi lançada sobre civis. Ao nos conduzir pelo curso de suas águas, Ota oferece ao público um testemunho sob novo olhar, um ponto de vista sobre o episódio ainda não registrado: o da natureza.

Eu, Ota, rio de Hiroshima, escrito em 2015, ano em que se relembrava os 70 anos do lançamento da bomba, marca a estreia de Jean-Paul Alègre no Brasil e pode ser considerado um verdadeiro manifesto pacifista. De maneira poética, o texto incita o leitor à reflexão sobre a proliferação inconsequente de armas e programas nucleares, que se revela especialmente preocupante num contexto global de fragilidade dos acordos de paz. 

Em Posfácio a esta edição, a escritora, atriz e diretora Rita Carelli, que assina, entre outros trabalhos, as edições da coleção Um dia na aldeia (Cosac Naify, 2013/14; SESI-SP editora, 2018) e o recentemente premiado pela Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, Minha família Enauenê (FTD), destaca a relevância desta publicação no contexto brasileiro, país marcado pela exploração predatória dos recursos naturais e das populações de seus territórios, cujas consequências não param de ressoar até os dias de hoje. Os acontecimentos políticos recentes, especialmente aqueles relacionados às políticas ambientais, encontram lugar nas reflexões propostas pelo autor e pela posfaciadora convidada.

O autor

Jean-Paul Alègre, nascido em Les Perreux-sur-Marne, França, em 1951, é dramaturgo e diretor. Nos anos 1970, fundou a companhia Théâtre du Fil d’Ariane, para a qual escreveu suas primeiras peças. Tem mais de cinquenta títulos publicados na França e no exterior, muitos deles montados em quarenta países e traduzidos para 25 línguas. Em 2007, foi condecorado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Entre 2006 e 2011, dirigiu um grupo francês de escritores associados ao teatro, que reúne mais de trezentos literatos do campo. Em 2013, obteve o prêmio Journées de Lyon de Melhor Autor de Teatro pela peça Lettres croisées [Cartas cruzadas], e a Academia Francesa lhe concedeu, no ano seguinte, o prêmio Émile Augier por Agnès Belladone (2014). Alègre foi presidente da Fundação Paul Milliet e, atualmente, preside o espaço cultural Centre des Bords de Marne, localizado na Île-de-France.

A literatura de Jean-Paul Alègre é objeto de diversos estudos universitários, e seus textos são frequentemente citados em livros acadêmicos e antologias. No Japão, país com o qual o autor tem bastante afinidade cultural, a tradutora Masako Okada prepara a antologia completa de suas obras. No Brasil, Eu, Ota, rio de Hiroshima é sua primeira publicação e permanece inédita nos palcos do país.

© Jean-Paul Alègre