Ferreira Gullar Autor - 1930, Brasil
Ferreira Gullar, pseudônimo de José de Ribamar Ferreira, nasceu em 10 de setembro de 1930 em São Luís (MA). Dois anos depois de publicar seu primeiro livro, "Um pouco acima do chão" (1949), mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou nas redações do Jornal do Brasil e das revistas O Cruzeiro e Manchete.
Em 1954, lançou "A luta corporal" e, nesse período, passou a participar da poesia concreta, rompendo com o projeto no fim da década de 1950, quando organizou as diretrizes do neoconcretismo, ao lado de nomes como Hélio Oiticica e Lygia Clark. As ideias do movimento seriam exploradas por Gullar nos textos “Manifesto Neoconcreto” e “Teoria do não-objeto”, publicados no Jornal do Brasil em 1959.
Na década de 1960, participou do CPC da UNE e, pouco depois, se filiou ao PCB. Sua poesia incorporou, no período, um tom engajado. O conteúdo político também aparecia em suas peças de cordel, seus ensaios críticos – como “Cultura posta em questão” (1964) e “Vanguarda e subdesenvolvimento” (1969) – e em sua produção teatral, que também inclui a peça "Dr. Getúlio, sua vida e sua glória" (1968), escrita com Dias Gomes.
Em 1968, com a instauração do AI-5, Ferreira Gullar foi perseguido e preso pelo regime militar. Em 1971, foi obrigado a se exilar, e viveu em Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires. Na Argentina escreveu "Poema sujo", em 1975, celebrado como uma das principais obras da língua portuguesa do século XX. A publicação do livro, no ano seguinte, marcou o retorno do escritor ao Brasil.
Em 2005, foi premiado com o Conrad Wessel de Ciência e Cultura e o Machado de Assis, ambos pelo conjunto da obra, e em 2010 foi condecorado com o prêmio Camões, principal distinção da língua portuguesa. Em 2014, passou a integrar a Academia Brasileira de Letras.
Gullar faleceu no dia 4 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro, aos 86 anos.*
- nascimento — morte 1930 — 2016
- país Brasil
- projetos 1 obra publicada

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come
Teatro brasileiro
trecho da obra
-
Todos
(Cantam)
pag. 33
Se corres, bicho te pega, amô.
Se ficas, ele te come.
Ai, que bicho será esse, amô?
Que tem braço e pé de homem?
Com a mão direita ele rouba, amô,
e com a esquerda ele entrega;
janeiro te dá trabalho, amô,
dezembro te desemprega;
de dia ele grita “avante”, amô,
de noite ele diz: “Não vá!”
Será esse bicho um homem, amô,
ou muitos homens será?
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come
Terceiro espetáculo do grupo Opinião. Assim como os shows Opinião e Liberdade, liberdade, esta peça também foi concebida no contexto pós 1964, porém assumiu, mais do que os espetáculos anteriores, o grande desafio de encontrar uma linguagem teatral que permitisse analisar criticamente as circunst...
conheça mais- Brasil
- 1966
- 2024
- 224 págs
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